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Anvisa aprova nova indicação do Enhertu e amplia esperança contra o câncer de mama HER2-positivo

Diego Rodríguez VelázquezPor Diego Rodríguez Velázquezjulho 8, 2026Nenhum comentário5 Mins de leitura
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Anvisa aprova nova indicação do Enhertu e amplia esperança contra o câncer de mama HER2-positivo
Anvisa aprova nova indicação do Enhertu e amplia esperança contra o câncer de mama HER2-positivo
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Medicamento passa a ser usado em fase mais precoce da doença, quando ainda restam células tumorais após a cirurgia, para reduzir o risco de recidiva.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou nesta semana uma nova indicação para o Enhertu, medicamento já conhecido no tratamento do câncer de mama HER2-positivo. A novidade é que o remédio, composto por trastuzumabe deruxtecana, agora pode ser usado em um momento mais precoce da doença, direcionado a pacientes que ainda apresentam células tumorais no tecido retirado durante a cirurgia, mesmo depois de quimioterapia e terapia-alvo. Esse quadro é chamado pela oncologia de doença invasiva residual e costuma gerar apreensão entre pacientes e familiares, já que indica maior probabilidade de o câncer retornar nos anos seguintes ao tratamento inicial. A decisão da Anvisa se apoiou em estudo clínico que mostrou redução expressiva no risco de recorrência ou morte entre quem recebeu o medicamento nesse cenário. A seguir, entenda o que muda na prática e o que essa aprovação representa para o cuidado oncológico no país.

O que muda com a nova indicação do Enhertu

Até então, o Enhertu era indicado principalmente para casos mais avançados de câncer de mama HER2-positivo, incluindo tumores irressecáveis ou metastáticos. Com a decisão publicada pela Anvisa, o medicamento passa a integrar o arsenal terapêutico também na fase adjuvante, ou seja, depois da cirurgia, quando a intenção do tratamento ainda é evitar que a doença volte. A indicação vale para pacientes adultos que já foram tratados com trastuzumabe, associado ou não ao pertuzumabe, junto de quimioterapia baseada em taxanos, e que mesmo assim mantêm doença residual identificada no exame do tecido operado. Segundo a agência, esse grupo específico de pacientes apresenta risco elevado de recidiva, o que torna a ampliação relevante para a prática clínica.

A aprovação foi baseada em estudo clínico que apontou redução de 53% no risco de recorrência invasiva ou morte entre as pacientes que usaram o medicamento nesse contexto, em comparação com o tratamento padrão anterior. O Enhertu pertence a uma classe de medicamentos chamada conjugado anticorpo-droga, que combina uma terapia direcionada ao receptor HER2 com uma substância capaz de agir diretamente sobre as células tumorais. Essa tecnologia busca uma ação mais precisa do que a quimioterapia convencional, o que pode ajudar a preservar tecidos saudáveis durante o tratamento. Vale reforçar que a indicação da Anvisa se aplica a um grupo específico de pacientes, e cabe sempre ao médico assistente avaliar, caso a caso, se o tratamento é indicado para cada paciente.

Por que a doença invasiva residual preocupa oncologistas

A doença invasiva residual ocorre quando, mesmo após a paciente passar por quimioterapia antes da cirurgia, ainda são encontradas células cancerígenas no tecido removido durante o procedimento. Na prática, isso significa que o tratamento inicial reduziu o tumor, mas não eliminou completamente as células malignas presentes na região. Estudos citados pela Anvisa indicam que até 25% das pessoas nessa condição podem apresentar recidiva da doença em até dez anos, o que reforça a necessidade de acompanhamento rigoroso e, em muitos casos, de terapias complementares após a cirurgia.

O câncer de mama é a neoplasia mais frequente entre mulheres no Brasil e no mundo, e o subtipo HER2-positivo está presente em cerca de 10% a 20% dos casos, segundo dados citados pela própria agência reguladora. Esse subtipo costuma ter comportamento mais agressivo e, historicamente, esteve associado a prognóstico mais reservado antes do surgimento das terapias-alvo. A possibilidade de identificar, ainda no pós-operatório, quais pacientes mantêm risco elevado de recidiva permite direcionar o tratamento complementar de forma mais personalizada, o que tende a beneficiar diretamente quem enfrenta esse diagnóstico.

Como fica o acesso ao tratamento no Brasil

A aprovação da Anvisa autoriza o uso do medicamento no país, mas não determina automaticamente sua disponibilização pelo Sistema Único de Saúde. A incorporação de novos medicamentos ao SUS passa por avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias, que analisa custo-efetividade e impacto orçamentário antes de recomendar a entrada do produto na rede pública. Enquanto isso não acontece, o acesso ao Enhertu nessa nova indicação tende a ocorrer principalmente pela rede privada de saúde, por meio de planos de saúde ou pagamento particular, conforme prescrição médica.

Para pacientes que já estão em tratamento ou concluíram a fase cirúrgica do câncer de mama HER2-positivo, a recomendação de especialistas é conversar diretamente com o oncologista responsável sobre a possibilidade de exame para identificar doença residual e sobre a elegibilidade para a nova indicação. Cada caso tem particularidades relacionadas ao estágio da doença, ao histórico de tratamentos anteriores e às condições clínicas gerais da paciente, fatores que somente a avaliação médica individual pode considerar com segurança.

A ampliação da indicação do Enhertu representa mais uma etapa de um movimento que a oncologia vem seguindo nos últimos anos: levar tratamentos antes reservados a fases avançadas do câncer para momentos mais precoces da doença. Para pacientes com câncer de mama HER2-positivo, a notícia chega como um motivo de esperança, ainda que a incorporação plena ao sistema público de saúde dependa de etapas regulatórias adicionais. Enquanto isso, o acompanhamento médico regular segue sendo a principal ferramenta para identificar precocemente sinais de recidiva e definir a melhor estratégia terapêutica para cada paciente, sempre em diálogo direto entre médico e paciente diante de exames e histórico clínico individual.

Fontes consultadas

  • https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/enhertu-trastuzumabe-deruxtecana-1
  • https://radiogov.ebc.com.br/programas/e-noticia/aprovado-novo-tratamento-medicamentoso-para-cancer-de-mama
  • https://www.jmonline.com.br/saude/anvisa-aprova-novo-tratamento-que-pode-reduzir-risco-de-volta-do-cancer-de-mama-her2-positivo-1.644343
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Diego Rodríguez Velázquez
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