Diretoria apresentou identidade profissional eletrônica, prescrição digital e a plataforma Medicina Segura em reunião com conselheiros.
O Conselho Federal de Medicina reuniu, no início de julho, sua diretoria e os conselheiros suplentes para apresentar um balanço das ações estratégicas em andamento na autarquia. O encontro teve como destaque os avanços da transformação digital conduzida pelo CFM nos últimos anos, processo que já resultou em ferramentas como a identidade profissional eletrônica e a plataforma de prescrição eletrônica, hoje usadas por médicos em todo o país. Também foram discutidas iniciativas de qualificação do exercício profissional e projetos voltados ao combate da invasão do ato médico, prática que preocupa o conselho por representar risco à segurança dos pacientes. Para quem atua na medicina ou acompanha os rumos da profissão no Brasil, entender essas mudanças ajuda a dimensionar como a rotina médica vem se transformando com o avanço da tecnologia.
Os pilares da transformação digital do CFM
Segundo apresentação feita pelo diretor de Tecnologia da Informação do CFM, a transformação digital da autarquia é um processo que vem sendo consolidado ao longo dos últimos anos e teve marcos importantes com a implantação da Autoridade de Registro do CFM. Essa estrutura permite emitir certificados digitais próprios, base para outras ferramentas que vieram na sequência, como a identidade profissional eletrônica, que substitui documentos físicos por credenciais digitais reconhecidas oficialmente. A plataforma de prescrição eletrônica também integra esse conjunto de iniciativas, permitindo que médicos emitam receitas de forma digital, com validade jurídica, o que reduz a dependência do papel e facilita o acesso do paciente ao tratamento indicado.
Essas ferramentas fazem parte de um esforço mais amplo de modernização que acompanha uma tendência observada em outros conselhos profissionais e em órgãos públicos brasileiros, que têm investido em digitalização de serviços para tornar processos mais ágeis e seguros. Para o médico, na prática, isso significa menos burocracia no dia a dia, com documentos que podem ser acessados e verificados digitalmente, e mais segurança para o paciente, que passa a contar com mecanismos de verificação da autenticidade de receitas e atestados. O CFM tem apresentado essas iniciativas periodicamente aos conselheiros regionais, buscando alinhar a adoção das ferramentas em todo o território nacional.
Medicina Segura e o combate à invasão do ato médico
Durante a reunião, a segunda vice-presidente do CFM incentivou os conselheiros a divulgar entre os médicos a plataforma Medicina Segura, ferramenta desenvolvida pela autarquia para ampliar a segurança assistencial por meio do registro de denúncias relacionadas a danos causados pela invasão do ato médico. A iniciativa permite que profissionais e pacientes reportem situações em que procedimentos privativos da medicina são realizados por pessoas sem formação ou habilitação adequada, prática que o conselho considera um risco relevante à saúde pública.
A defesa do ato médico é uma pauta recorrente entre os conselhos regionais de medicina, que atuam em conjunto com o CFM para fiscalizar estabelecimentos e coibir a realização de procedimentos complexos ou invasivos por profissionais não habilitados. Casos de interdição de clínicas e apuração de denúncias têm sido reportados por diferentes conselhos regionais ao longo do ano, o que reforça a preocupação da categoria com o tema. Ao concentrar essas denúncias em uma plataforma única, o CFM busca criar uma base de dados mais consistente, capaz de subsidiar ações de fiscalização e eventuais medidas administrativas ou judiciais contra a prática irregular.
O que isso significa para a rotina do médico brasileiro
Para o médico que atua no dia a dia, a consolidação dessas ferramentas digitais tende a simplificar processos que antes exigiam deslocamento até sedes de conselhos regionais ou envio de documentação física. A identidade profissional eletrônica, por exemplo, pode ser usada para comprovar o registro ativo do médico em diferentes contextos, desde a assinatura de documentos até a validação de procedimentos administrativos junto a hospitais e operadoras de saúde. Já a prescrição eletrônica reduz o risco de erros de leitura associados à caligrafia manual e facilita o histórico de medicamentos prescritos ao paciente.
O presidente do CFM também aproveitou a reunião para convidar os conselheiros para o Encontro Luso-Brasileiro de Bioética, realizado na sede da autarquia em Brasília, evento que reúne discussões sobre os limites éticos do uso de novas tecnologias na medicina. A pauta é especialmente relevante em um momento em que ferramentas de inteligência artificial começam a ser incorporadas a diferentes etapas do cuidado em saúde, o que exige debate constante sobre segurança, responsabilidade profissional e proteção do paciente.
A modernização conduzida pelo CFM caminha lado a lado com um movimento mais amplo de digitalização observado em diferentes áreas da administração pública e das profissões regulamentadas no Brasil. Para o médico, acompanhar essas mudanças significa não apenas se adaptar a novas ferramentas, mas também compreender como elas podem contribuir para uma prática mais segura e transparente. Já para o paciente, iniciativas como a Medicina Segura representam um canal adicional de proteção diante de situações que colocam em risco a qualidade do atendimento recebido. O tema deve continuar em pauta nos próximos encontros do conselho, à medida que novas etapas da transformação digital forem implementadas.

