No setor produtivo, entre produtores, compradores e intermediários, como o empresário Wander Aguilera Almeida, o início da safra 2026/27 gira em torno de um assunto dominante: o El Niño. Conforme comunicado oficial dos órgãos meteorológicos brasileiros em junho, o fenômeno apresenta alta probabilidade de atingir intensidade muito forte durante a primavera, período em que se iniciará a semeadura da soja nas principais regiões produtoras do país.
O aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico altera a circulação atmosférica e redistribui as chuvas no Brasil. O efeito costuma ser desigual: enquanto o Sul tende a ter precipitações acima da média, o Centro-Norte pode enfrentar calor intenso, atraso no retorno das chuvas e escassez hídrica.
Essa assimetria, portanto, transforma o clima em variável de gestão. A janela de plantio, a escolha de cultivares, o seguro, a compra de insumos e o ritmo de comercialização dependem de uma análise cuidadosa das previsões. A seguir, entenda o que os boletins indicam para os próximos meses e quais decisões o fenômeno tende a alterar dentro e fora da porteira.
O que as previsões indicam para a primavera e o verão?
O Painel El Niño 2026-2027, boletim mensal elaborado em conjunto por Inmet, Inpe, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil e Defesa Civil Nacional, aponta que o fenômeno deve permanecer ativo ao menos até o início de 2027. De acordo com projeções do Centro de Previsão Climática da NOAA, agência norte-americana, há uma probabilidade superior a 90% de um evento muito forte no trimestre de setembro a novembro.
Estimou-se que o El Niño 2026/27 será o mais intenso desde 1950. No Centro-Oeste e no Sudeste, o tempo quente e seco beneficia as colheitas, mas também pode dificultar a implantação das culturas de verão e ampliar o risco de incêndios. No Norte e no Nordeste, a colheita e a secagem tendem a ser beneficiadas.
As pastagens também são afetadas, uma vez que o calor e o déficit hídrico reduzem a oferta de forragem e impactam a pecuária de corte. Essa interligação explica por que o acompanhamento do preço da arroba, ao lado das safras de grãos, faz parte da rotina de Wander Aguilera Almeida: os dois mercados reagem ao mesmo sinal climático e influenciam as escolhas de quem produz grãos e gado na mesma propriedade.
Quatro decisões que o El Niño altera na fazenda
Em anos com condições climáticas irregulares, o risco da safra deixa de estar concentrado na colheita, sendo distribuído por todo o ciclo. Algumas escolhas feitas nas próximas semanas definem quanto dessa exposição o produtor vai carregar até o ano que vem:
- Janela de semeadura: plantar antes da regularização das chuvas pode antecipar a colheita e abrir espaço para a segunda safra, mas eleva o risco de falha na germinação e de replantio. Esperar umidade suficiente reduz esse risco, porém encurta o calendário do milho safrinha.
- Cultivares e ciclo: materiais de ciclo mais curto ou com maior tolerância ao estresse hídrico ganham peso nas regiões com previsão de chuva abaixo da média. No Sul, a atenção se volta para doenças favorecidas pelo excesso de umidade.
- Zoneamento e seguro rural: seguir o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) condiciona o acesso ao Proagro e à subvenção do seguro rural. Em um ano de previsão adversa, a cobertura protege também o fluxo de caixa da safra seguinte.
- Comercialização antecipada: vender parte da produção antes do plantio garante preço, mas cria compromisso de entrega. Com risco de quebra, travar volumes acima do que a lavoura pode render expõe o produtor a perdas, mesmo quando o mercado sobe.

A decisão final é a que mais se aproxima do campo do mercado. Na intermediação de compra e venda de grãos, atividade na qual Wander Aguilera Almeida atua como empresário, a relação entre o volume negociado antecipadamente e a produção esperada adquire especial importância em anos de escassez, uma vez que uma quebra em um determinado elo da cadeia repercute em toda a rede de compromissos, desde o produtor ao comprador final.
Clima, oferta e preço: por que a safra também se decide no mercado?
A previsão de quebra em uma região não implica, necessariamente, um aumento no preço para os produtores. As cotações dos grãos no Brasil estão atreladas à Bolsa de Chicago, à taxa de câmbio e aos prêmios pagos nos portos. Eventuais perdas locais podem ser contrabalançadas pela oferta de outras regiões ou países. Portanto, o impacto do El Niño sobre os preços depende da magnitude da perda e de sua localização.
Em termos práticos, o produtor deve tomar decisões sem ter acesso a informações relevantes, como o tamanho da colheita e o preço final de venda. O empresário Wander Aguilera Almeida, que acompanha de perto as safras e a evolução das cotações, atua justamente nesse ponto de encontro entre quem produz e quem compra, conectando as partes para que cada negociação reflita as condições reais do momento, e não expectativas descoladas do que a lavoura e o mercado indicam.
Em anos de incerteza, uma estratégia usual é escalonar a comercialização, fixando preço para uma parte da produção em momentos de alta e mantendo o resto livre, até que o desenvolvimento das lavouras fique mais claro. Contratos a termo, opções em bolsa e trocas de insumos por grãos ajudam a distribuir o risco, desde que o volume respeite a capacidade de entrega.
Planejamento em ano de El Niño começa antes do plantio
O El Niño 2026/27 não determina sozinho o resultado da safra, mas altera a ordem das decisões e reduz a margem para improvisos. Nos bastidores do agronegócio, onde atua o empresário Wander Aguilera Almeida, boletins climáticos, cotações e avanço do plantio passam a ser lidos como partes de uma mesma informação, que orienta desde a semeadura até o fechamento dos negócios.
Para o produtor, a temporada pede um calendário flexível, seguro, compatível com o risco da região e vendas proporcionais ao que a lavoura pode entregar. Quem ajusta essas variáveis antes das primeiras chuvas tem menos exposição e mais poder de negociação.
A intermediação conduzida por Wander Aguilera Almeida estabelece conexões entre produtores e compradores, utilizando uma análise combinada de condições climáticas e do mercado para auxiliar os produtores na tomada de decisões mais acertadas. Em um ano de El Niño intenso, a prudência na comercialização tende a ter um impacto tão significativo quanto a produtividade no resultado final da safra.

