A identidade de um clube de futebol não é construída apenas por seus títulos, jogadores ou uniformes. Símbolos como cores, escudo e hino também ocupam um lugar importante na relação entre uma instituição e sua torcida. No caso do Flamengo, as músicas associadas ao clube atravessaram diferentes gerações e se transformaram em elementos reconhecidos mesmo fora dos estádios.
Para Mario Augusto de Castro, torcedor do Flamengo, o hino possui uma característica particular: ele consegue reunir torcedores de épocas diferentes em torno de uma mesma referência. Independentemente do momento esportivo, cantar uma música tradicional do clube cria uma ligação direta com a memória construída ao longo de décadas.
O primeiro hino e a mudança de identidade
A história musical do Flamengo possui mais de um capítulo. O primeiro hino oficial do clube, conhecido como “Hino Rubro-Negro”, foi composto por Paulo Magalhães e adotado ainda nas primeiras décadas do século XX.
Posteriormente, o hino que se tornou mais popular entre os torcedores foi composto por Lamartine Babo. A música, criada em 1945, passou a ocupar um espaço central na identidade do clube e acabou se tornando a composição mais imediatamente associada ao Flamengo. Essa mudança mostra como os símbolos de uma instituição podem se transformar com o tempo sem necessariamente romper com sua história.
Lamartine Babo e a tradição dos hinos esportivos
Lamartine Babo teve participação importante na criação de músicas associadas a clubes do futebol carioca. Seu trabalho ajudou a estabelecer uma linguagem musical própria para o esporte em uma época na qual o rádio desempenhava papel central na popularização do futebol.
No caso do Flamengo, sua composição contribuiu para transformar o hino em uma referência que ultrapassou as arquibancadas. A música passou a ser reproduzida em diferentes contextos e incorporada ao cotidiano dos torcedores. Mario Augusto de Castro indica que essa capacidade de sobreviver às mudanças tecnológicas e culturais ajuda a explicar a força do hino rubro-negro.

O hino acompanha diferentes gerações
Um dos aspectos mais interessantes de um símbolo esportivo é sua capacidade de ser transmitido entre pessoas que não viveram os mesmos períodos da história do clube. Um torcedor que acompanhou a geração de Zico, por exemplo, compartilha com alguém mais jovem uma referência musical que já existia antes mesmo de muitos dos grandes ídolos do Flamengo nascerem. O hino, portanto, funciona como um ponto de encontro entre diferentes momentos da trajetória rubro-negra.
A música como experiência coletiva
Cantar em grupo produz uma experiência diferente daquela de ouvir uma música individualmente. Em um estádio, milhares de pessoas podem reproduzir simultaneamente uma mesma composição, criando uma manifestação coletiva de pertencimento. No caso do Flamengo, essa experiência está associada a partidas, comemorações e encontros entre torcedores. O hino pode aparecer antes de um jogo, em eventos relacionados ao clube ou simplesmente em momentos de celebração.
Para Mario Augusto de Castro, essa dimensão coletiva é uma das razões pelas quais a música se tornou tão importante. O hino não apenas identifica o Flamengo; ele também proporciona uma maneira de expressar publicamente a ligação com o clube.
Um símbolo que permanece apesar das mudanças
Uniformes mudam, jogadores se aposentam e diferentes gerações assumem o protagonismo dentro de campo. O hino, porém, pode permanecer praticamente inalterado, funcionando como uma referência estável em meio a essas transformações. Essa permanência permite que torcedores encontrem elementos familiares mesmo quando o clube atravessa períodos completamente diferentes.
Ao analisar o papel da música na história rubro-negra, Mario Augusto de Castro destaca que o hino representa uma forma particular de preservar a memória do clube. Para ele, sua importância não está apenas na composição ou na tradição musical, mas na capacidade de conectar diferentes gerações de flamenguistas. Ao ser cantado por torcedores que viveram épocas distintas, o hino transforma uma referência histórica em uma experiência compartilhada, mantendo presente uma parte da identidade construída pelo Flamengo ao longo de sua trajetória.

