Levantar-se de uma cadeira parece um movimento automático, mas exige força muscular, equilíbrio, coordenação e mobilidade trabalhando em conjunto. Para o Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, perceber que um idoso passou a encontrar dificuldade em uma tarefa antes realizada com facilidade pode trazer informações relevantes sobre sua capacidade funcional.
Saiba mais a seguir!
Por que levantar-se exige tanto do organismo?
Para sair da posição sentada, o corpo precisa deslocar o peso para a frente e produzir força suficiente nos membros inferiores para alcançar a posição em pé. Quadris, joelhos, tornozelos e músculos participam desse processo, enquanto o equilíbrio ajuda a estabilizar o corpo durante a transição. Uma limitação em qualquer desses componentes pode tornar o movimento mais lento ou trabalhoso.
A altura e as características da cadeira também interferem. Assentos muito baixos ou excessivamente macios costumam exigir mais esforço do que superfícies firmes e de altura adequada. Por isso, uma dificuldade observada em determinada cadeira não deve ser interpretada da mesma maneira que uma limitação presente repetidamente em diferentes ambientes e situações.
O que chama atenção, sobretudo, é a mudança em relação ao padrão habitual. Na visão do Doutor Yuri Silva Portela, observar a funcionalidade ao longo do tempo permite perceber alterações que uma análise isolada pode esconder. Se uma pessoa levantava sem apoio e progressivamente passa a utilizar os braços, fazer balanço com o tronco ou solicitar ajuda, existe uma mudança concreta a ser considerada.
A dificuldade pode indicar perda de força? Saiba com o Doutor Yuri Silva Portela
A redução da força muscular é uma das possibilidades. Com o envelhecimento, podem ocorrer mudanças na quantidade e na qualidade da massa muscular, especialmente quando se somam fatores como sedentarismo, alimentação inadequada ou períodos prolongados de imobilidade. Os membros inferiores têm papel particularmente importante na capacidade de levantar-se e permanecer em pé com segurança, além de contribuírem para movimentos cotidianos como caminhar e subir degraus.

Entretanto, como destaca o Doutor Yuri Silva Portela, não é adequado atribuir automaticamente toda dificuldade à perda muscular. Dor nos joelhos ou quadris, rigidez articular, alterações neurológicas, problemas de equilíbrio e outras condições também podem interferir no movimento. Até mesmo o receio de cair pode fazer a pessoa modificar a maneira como se levanta, tornando a execução mais cautelosa e demorada e aumentando a necessidade de apoio durante o movimento.
Usar os braços para levantar é sempre um problema?
Não necessariamente. Apoiar as mãos nos braços da cadeira pode ser apenas uma estratégia habitual ou uma maneira de tornar o movimento mais confortável. A informação ganha outra importância quando alguém que costumava levantar sem apoio passa a depender constantemente dele ou quando mesmo o auxílio dos braços deixa de ser suficiente para completar o movimento com segurança e estabilidade.
Também é preciso evitar comparações inadequadas entre idosos diferentes. Duas pessoas da mesma idade podem apresentar níveis bastante distintos de força, mobilidade e capacidade funcional. Nesse sentido, acompanhar a evolução individual costuma fornecer informações mais úteis do que esperar que todos consigam executar uma tarefa da mesma maneira ou apresentem desempenhos semelhantes apenas por pertencerem à mesma faixa etária.
De acordo com o Doutor Yuri Silva Portela, essa observação também ajuda a evitar que mudanças sejam simplesmente classificadas como normais da idade. Envelhecer produz transformações no organismo, mas uma nova limitação pode ter diferentes causas. Reconhecê-la permite investigar o contexto antes que a dificuldade passe a ser incorporada à rotina sem questionamento e outras atividades cotidianas também comecem a ser afetadas.

