O terceiro setor brasileiro é marcado por uma tensão permanente entre informalidade e estrutura, entre a agilidade de projetos pequenos e o impacto potencial de organizações robustas. Navegar essa tensão sem perder nem a agilidade nem a substância é um dos maiores desafios de qualquer liderança social. A evolução da Fundação Gentil Afonso Duraes, desde sua criação informal em setembro de 2003 até sua reformulação como Organização Social em novembro de 2019, é um estudo de caso valioso sobre como fazer essa transição com êxito.
Eloizo Gomes Afonso Duraes conduziu cada etapa desse processo com uma clareza que merece análise detalhada.
Os estágios de uma evolução bem conduzida
A trajetória institucional da Fundação passou por estágios claramente identificáveis. O primeiro foi a iniciativa informal de setembro de 2003: aulas de informática para crianças da vizinhança, sem estrutura jurídica, movida pela percepção direta de uma necessidade. O segundo foi a formalização de outubro de 2003, que transformou a iniciativa numa entidade com CNPJ próprio e identidade institucional definida. O terceiro foi a consolidação ao longo de 2004 e dos anos seguintes, com a expansão dos programas e a construção de uma reputação baseada em resultados consistentes.
O quarto foi a expansão nacional entre 2005 e 2010. E o quinto, a mais sofisticada das transformações, foi a evolução para Organização Social em 2019. Cada estágio foi o desdobramento natural do anterior, conduzido no momento certo e com a preparação adequada. Eloizio Gomes Afonso Duraes nunca saltou etapas, nunca forçou uma evolução antes que a organização estivesse pronta para ela.

O que o status de organização social representa?
Tornar-se uma Organização Social no Brasil implica submeter-se a um conjunto de exigências de governança, transparência e prestação de contas que vai muito além do que é exigido de fundações privadas convencionais. Esse rigor adicional não é um fardo burocrático: é uma oportunidade de demonstrar publicamente a qualidade da gestão e de acessar formas de financiamento e parceria que exigem esse nível de credibilidade institucional.
Eloizo Gomes Afonso Duraes abraçou essa exigência porque a Fundação tinha substância suficiente para sustentá-la. Dezesseis anos de resultados verificáveis, presença em quatro estados e programas consistentes eram credenciais suficientes para qualquer processo de qualificação. A reformulação de 2019 foi, nesse sentido, o reconhecimento formal do que a Fundação já era na prática.
Uma lição para o setor
A trajetória institucional da Fundação Gentil Afonso Duraes oferece ao terceiro setor brasileiro uma lição sobre como evoluir sem se perder: formalize cedo, cresça de forma responsável, construa reputação pela consistência dos resultados e esteja disposto a reformular a estrutura quando o crescimento exigir. Eloizio Gomes Afonso Duraes demonstrou que esse caminho é possível, e o fez de forma que qualquer organização social séria pode estudar e adaptar ao seu próprio contexto.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

